Compartilhe nas redes sociais
  •  
  •  
  •  
  •  

A revista Exame, em sua versão digital de 4 de setembro, reportando a possível flexibilização do teto de gastos, diz que o ministro Guedes e o deputado Rodrigo Maia são contra. Nas palavras de Maia, que Guedes acompanha, com declarações semelhantes em outros espaços, “temos 14% do PIB em previdência, 13% do PIB em funcionalismo e 6% do PIB em juros. Ou seja, 33% do PIB está comprometido, nós temos que reduzir essas despesas. É por isso que tem que manter o teto, impossível mexer, vamos resolver esse problema, o governo encaminha reforma administrativa para ter um estado que custe menos para o cidadão”. A clássica lição de estratégia – transformar a ameaça em oportunidade – parece estar sendo aplicada à crise, hábil e cruelmente.

Brasília – Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na posse de Michel Temer como presidente da República, em solenidade no Congresso Nacional (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Revelação

A declaração de Maia é uma fala reveladora, que está sintonizada com o que disse o ministro Guedes, sobre o mesmo assunto, ao sugerir que se aproveite a crise para fazer mudanças há muito tempo desejadas (por eles, vale dizer).
A crise, expressa em situações dramáticas, como cortes profundos no orçamento-2020 da educação, saúde, ciência, segurança e investimento, atingindo programas básicos, tais como as bolsas de estudo e pesquisa, facilita a aprovação de medidas radicais e aparentemente salvadoras.
“Vamos resolver esse problema, o governo encaminha reforma administrativa para ter um estado que custe menos para o cidadão”, disse Maia, como vimos. A reforma administrativa é aquela que autorizará o governo a reduzir a jornada de trabalho e os salários dos funcionários públicos, além de acabar com a estabilidade de vários segmentos, para promover dispensas de servidores com a mesma facilidade com que se demite no setor privado.
A crise também ajuda na privatização das empresas públicas, tema que, segundo recente pesquisa do DataFolha, não agrada a mais da metade dos brasileiros. Mas para fazer caixa e salvar o Brasil, como não privatizar? Assim fazem as famílias quando estão sem dinheiro para sobreviver: vendem o carro ou a vaquinha. É uma comparação que gostam de fazer: o Estado e a família. O povo assimila melhor a mentira.
A crise ajudará ainda a novos cortes de direitos trabalhistas, aumentando a precarização e o barateamento do trabalho, para maior exploração e concentração do capital.
Finalmente (?), a crise justificará a eliminação dos artigos constitucionais que destinam percentuais mínimos do orçamento público à saúde e à educação. 

depois de tudo, flexibilização e Fundo Soberano

Não restará mais nada do Estado Social brasileiro, já limitado pelas restrições tributárias, que fazem dos milionários no Brasil contribuintes de  3%, enquanto a chamada classe média comparece com tributos na casa dos 9  a 11% dos seus rendimentos, segundo informa a própria Receita Federal (Folha de São Paulo, em 13/09/2019).
Por que não “vamos resolver esse problema”? Uma pergunta ao Maia que está com a mão na massa, a reforma tributária em andamento na Câmara que ele preside de modo imperial. Que tal cobrar mais dos ricos? Inclusive sobre seus dividendos, que no Brasil são isentos, diferentemente de todo o mundo mais ou menos civilizado, como EUA e toda a Europa.
Depois de desmontar o Estado moderno do Brasil, construído com sangue, suor e lágrimas dos trabalhadores, usando a crise como argumento central, eles vão oferecer ao capital a escravidão contemporânea. “Liberdade econômica” radical, uma espécie de retorno ao liberalismo dos primórdios, aquele que ganhou o apelido de “capitalismo selvagem”.
Ainda assim, o capital não vai investir, senão quando o Estado voltar a investir nas 5 mil obras paradas.
Neste momento, com a aposentadoria adiada para o fim dos tempos, o “emprego” ultra precarizado e salários miseráveis, funcionários públicos sem direitos, empresas públicas privatizadas e maior carga tributária sobre os ganhos do trabalho, chegou a hora de flexibilizar o teto de gastos. Aí então o dinheiro público vai aparecer.
Quem sabe não se constitui um Fundo Soberano com parte das reservas de U$ 380 bi, deixados, justiça se faça, pelos governos do PT? Assim elevam-se os investimentos públicos, sempre com parcerias público-privadas, claro.Parece um crime, digo, um plano perfeito.
Teremos como evitar?



Compartilhe nas redes sociais
  •  
  •  
  •  
  •  

Leave a Reply

Your email address will not be published.