O RIDÍCULO COMPLEXO DE VIRA-LATAS DA FAMÍLIA BOLSONARO QUANDO A VONTADE DE DAR E OBEDECER ESTÁ ACIMA DE TUDO!
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Nelson Rodrigues

Complexo de vira-latas é um conceito criado pelo dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, e denota o sentimento de inferioridade do brasileiro face às outras nações, notadamente aos países desenvolvidos. Nunca antes na história desse país, tivemos um presidente, talvez uma família no poder, em que esse complexo fosse tão marcante como agora.

Quando na oposição, o Bozo feroz falou até em mandar Fernando Henrique para o paredão porque estava entregando nossas riquezas para os Estados Unidos. Esse nacionalismo supostamente acima de qualquer suspeita foi uma marca que aquele que hoje ocupa hoje o Palácio do Planalto sempre fez questão de marcar para si. Mas será que tudo era na verdade ou apenas uma encenação? Um nacionalismo falso de quem queria aparecer, mas no fundo teria desejado ter nascido em outro país, quem sabe nos States? Parece que sim, e pode ser que freudianamente falando, muitos dos conceitos que o então candidato Bolsonaro colocou como centrais, fossem na verdade o contrário do que se queria na verdade. E nesse momento, a vergonhosa entrega que ele faz, literalmente dando de presente patrimônios nacionais como a base de Alcântara, no Maranhão, considerado o melhor ponto do mundo para lançamento de foguetes, seja tão somente o gesto servil de seu vira-latismo latente ardendo em seu desejo de ser aceito entre os que ele realmente admira.

Em entrevista à Shannon Bream, na noite de 18 de março de 2019, Bolsonaro se colocou sem receio algum na qualidade de propagandista e defensor das proposta mais polêmicas de Trump. Defendeu a construção do muro com o México e elogiou e defendeu a política de imigração do republicano: “A grande maioria dos imigrantes em potencial não tem boas intenções nem quer o melhor ou fazer bem ao povo americano”, foi logo disparando. Bolsonaro nem se preocupou ou nem quis saber, que entre os imigrantes brasileiros nos Estados Unidos, ele obteve 81% dos votos válidos, que 85% dos brasileiros que moram lá dizem que as políticas de Trump não melhorou a vida de quem mora nos EUA e 79% acham que as políticas para a imigração constituem o pior do governo Trump. Ignorando, ou não se preocupando com isso, Bolsonaro ainda prosseguiu “eu gostaria muito que os EUA levassem adiante a atual política de imigração, porque em larga medida nos devemos a nossa democracia no Hemisfério Sul aos Estados Unidos”.

Na verdade, essa história começou antes, um pouco antes. Quando Bozoró era ainda pré-candidato, um pré-candidato viável então, fez viagem com toda a família aos Estados Unidos em busca da comunidade brasileira que vivia lá. Nem era tanta gente assim, o número de estrangeiros brasileiros vivendo em qualquer país, mesmo quando em proporções razoáveis está longe de ser relevante desde um ponto de vista eleitoral. Talvez o objetivo nunca fosse a comunidade brasileira, fosse a vontade de sinalizar, ainda que seu mote de campanha fosse o nacionalismo, a obediência incondicional aos Estados Unidos, em especial a Trump. Foi nessa ocasião, para escândalos de alguns (só de alguns), que Bozo teria batido continência pela primeira vez para a bandeira dos Estados Unidos. No momento da continência, a comunidade brasileira presente aplaudiu o gesto de Bolsonaro. Como gostaria de ver a expressão destes mesmos no momento das afirmações de Bolsonaro em defesa das políticas de Trump para a imigração e por que não, das declarações de Eduardinho dizendo que os imigrantes ilegais brasileiros “são uma vergonha”. Logo Eduardinho, tão amigo de um certo imigrante ilegal chamado Olavo de Carvalho.

Mas o pior ainda estava por vir, depois de eleito, Bolsonaro e sua família passaram a se derramar de amores por Trump e seus partidários. Eduardinho viajou novamente à sua pátria de sonho, viajou por sua própria conta, mas falava em nome do pai, e chegou a dar entrevista com o boné de campanha do presidente republicano. Em visita ao Brasil a convite do presidente, o secretário de Estado John R. Bolton recebeu continência do presidente do Brasil, fato inédito de submissão jamais visto antes.

A família Bolsonaro sempre em campanha

Mas não teria sido um simples gesto de simples cortesia? afinal esse gesto de fazer cumprimentos imitando continência é coisa banal e muita gente faz sem significado algum. Poderia ser, não seria absurdo dizer que foi um “descuido”, uma infeliz distração de quem ainda não entendeu como deve ser a postura de um presidente.

Mas a recente viagem da família Bozo e seus criados ao covil de Trump, dissipou todas as dúvidas. Não temos no poder apenas um presidente fora do tempo, temos nada mais que um lambedor de coturnos do US Army & Cia. A família não conseguia esconder o deslumbramento com a recepção, Bozo-pai se confessou nas nuvens ao ser acomodado no Blair House, e fez questão de dizer que só os chefes de Estado “mais importantes” são acomodados lá. É uma maneira até sutil para os padrões bozonianos se incluir dessa maneira entre os chefes de Estado “mais importantes”, mas se é assim, deve se observar que FHC, Lula e Dilma também estão nessa qualidade, pois se hospedaram lá antes dele.

E claro, Bozo é incapaz de parar para pensar no absurdo da submissão que revela ao dizer isso. Como assim os chefes de Estado “mais importantes” se hospedam no Blair House?Mais importantes para quem? Então se os governantes americanos não o hospedassem nesse local, iriam voltar de lá dizendo que não compõe a galeria dos “mais importantes” simplesmente porque o Tio Sam assim não classificou? É um presidente americano que classifica o lugar e a importância de um presidente brasileiro? Não Bolsonaro, você não está entre os chefes de Estado “mais importantes” sob nenhuma perspectiva, é uma vergonha para o país, diga o que disser seu patrão Trump.

Até agora só falamos de detalhes e declarações, mas o pior ainda está por vir. Os militares brasileiros no poder, embora servis sob vários aspectos nunca admitiram entregar aos Estados Unidos nem o urânio brasileiro, nem nosso processo de enriquecimento. Em vão diplomatas e burocratas americanos de todo o tipo pressionaram os presidentes brasileiros desde a ditadura até Dilma (passando por gente como FHC, Sarney, Collor e cia) por acesso a estes bens. Foi só Temer assumir que em viagem aos Estados Unidos deu de presente a nossa tecnologia nuclear. Agora foi a vez de Bolsonaro, deu de presente o Urânio e não pediu nada em troca. Questão de segurança nacional? Brasil acima de tudo? Sem comentários…

Além do Urânio, a base de Alcântara. Patrimônio brasileiro, a base de Alcântara é o melhor ponto do planeta para lançamento de Foguetes. No final de seu governo, FHC chegou a falar em privatizá-la, mas foi derrotado por um grande movimento social que fez nas bases a discussão de como essa privatização significava um gravíssimo ataque à soberania Nacional. Pois bem, Bolsonaro não governa ainda a três meses, viajou para ver Trump e levou de presente a base de Alcântara, sem nada em troca, deu de presente.

Além da base de Alcântara, Bolsonaro aboliu a necessidade de visto para que americanos venham ao Brasil. Até então, o Brasil aplicava a reciprocidade e exigia dos cidadãos estadunidenses, o mesmo que era exigido dos cidadãos brasileiros para entrarem naquele país. Nada mudou para os cidadãos brasileiros, e nem Bolsonaro tocou um instante sequer na situação das crianças filhas de imigrantes brasileiros que estão aprisionadas e ainda separadas dos pais naquele país, dos mesmos imigrantes brasileiros que para Eduardo são uma vergonha, mesmo tendo votado majoritariamente em seu pai para presidente.

A vontade de conceder parece não ter limites, percebendo o cenário favorável, Trump defende que o Brasil assuma como seus os inimigos dos Estados Unidos, tais como Venezuela, Iran, China, Rússia, Cuba e Nicarágua. Isso significa apoio na guerra comercial (o que pode ser fatal para a economia brasileira, no caso da China e Rússia), também na área diplomática e se for o caso no plano Militar. E o pior de tudo é que Bolsonaro responde sorrindo que sim! Os Estados Unidos aceitam apoiar o ingresso do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas em troca querem que o Brasil abra mão de suas prerrogativas de país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio (OMC). Em tempos recentes, a diplomacia brasileira obteve vitórias importantes contra os próprios Estados Unidos na OMC em função dessas prerrogativas, abrir mão delas pode ser catastrófico, mas também a isso Bolsonaro sorri e diz sim.

O que pode estar por trás de tanta boa vontade? E a resposta não vai surpreender a muitos. Bolsonaro não tem um projeto de governo, tem apenas uma vaga referência a partir do que viu durante a ditadura militar. Os militares no poder sempre foram pró-americanos, é a única coisa que ele consegue pensar em fazer. Todo o seu discurso nacionalista se dissipa agora que se sente aceito, agora que é tratado finalmente como “alguém”. Bolsonaro se sente finalmente realizado e importante porque é recebido como chefe de Estado na terra do Tio Sam. Enfim aceito, enfim entre os “mais importantes”, pode dizer agora de todo o nojo que sente pelos mais pobres, por toda a vergonha que tem daqueles que votaram nele e são imigrantes nos Estados Unidos. Não entende nada do que faz, mas não quer pensar nisso. Acha que está do lado do “bem”, e isso basta. Sente-se o máximo por poder dizer “sim senhor”. Pouco que lhe importa as consequências do que faz, porque sabe e tem convicção que faz o que faz por aqueles que tem pedigree. Não pensa ou não quer pensar que para estes mesmos, ele é e sempre será um reles vira-latas domesticado e descartável.


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