8 DE MARÇO: A REVOLUÇÃO A PARTIR DAS MULHERES
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Por: Paula Vielmo

Chegamos ao 8 de março, celebrado mundialmente como Dia Internacional das Mulheres e para nós como o Dia Internacional de LUTA das Mulheres. A data foi instituída há 44 anos, em 1975 pela ONU, como Dia Internacional da Mulher, para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres nos mais diversos países. Todavia, as origens remontam à 1910 na Conferência de Mulheres Socialistas, conforme Ana Isabel Álvares González em sua obra “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres” e não tem relação com as operárias queimadas na fábrica nos Estados Unidos, como amplamente se propaga equivocadamente.

Observe inicialmente que a data oficial, da ONU, é no singular, mas nós adotamos o plural, um princípio importante para o movimento feminista, ao reconhecer a pluralidade de mulheres, contradizendo assim o mito da “mulher universal”. Assim também é a classe trabalhadora, diversa em sua composição, inclusive com maior parcela de mulheres em seu interior. Ainda, durante décadas e para os mais desavisados, ainda hoje, a data era dedicada à celebrar a feminilidade, reforçada por meio de presentes estereotipados como femininos, tais como flores, porém intensifica-se um movimento que busca trazer à data o significa de luta, expressão omitida para a maioria da população, portanto, também para as mulheres, segmento especialmente oprimido.

É inegável a ascensão do movimento feminista neste início de século e mais recentemente tendo um novo momento a partir do chamado internacional de pesquisadoras militantes como Angela Davis e Nancy Fraser em 2017, ao retomar a organização internacional das mulheres por meio da Greve Internacional de Mulheres. Não por acaso, em 2017 celebramos 100 anos da Greve de Mulheres russas, que antecedeu a Revolução. A Greve Internacional de Mulheres convocada, além de celebrar as conquistas, reconhece a importância das mulheres para sustentar o sistema capitalista e nossa exploração invisibilizada por meio do trabalho reprodutivo.

Não à toa, adota-se o mote afrontoso: “se nossas vidas não importam, que produzam sem nós”, pois é impossível a manutenção do sistema sem nosso trabalho reprodutivo, assim como é inaceitável que as nossas vidas sejam ceifadas como têm sistematicamente ocorrido. No Brasil, ser mulher é perigoso, ocupamos a vergonhosa 5ª posição de país que mais mata mulheres no mundo, a violência contra nossas vidas é cotidiana e não pode mais ser banalizada, assim como o assédio sexual e moral que acomete principalmente as mulheres. A defesa de nossas vidas passa pelo direito sexual e reprodutivo e a legalização do aborto, pela igualdade salarial, pela divisão do trabalho doméstico, pelo direito de ser.

No Brasil, a adesão à Greve Internacional de Mulheres ainda não é ideal, porém já toma alguns setores, os sindicatos já incluem em suas agendas e acontece de modo a ser perceptível no cotidiano as transformações em curso e o papel fundamental das mulheres feministas. Se paralisações de milhões de mulheres brasileiras ainda não é possível, deixar de fazer alguma atividade reprodutiva é possível e visibiliza a importância deste trabalho.

Na sequência, em 2018 durante as eleições presidenciais, milhares de mulheres protagonizaram a organização nacional e até internacional do movimento conhecido como “EleNão, que trouxe como pauta central para o processo eleitoral a rejeição das mulheres conscientes das desigualdades de gênero, de classe e de raça e os riscos em termos de retrocessos democráticos com a chegada de Bolsonaro à presidência. Apesar do coiso ter sido eleito, o acumulo da organização e resistência das mulheres segue sendo fortalecida e inspirando inúmeros segmentos. Nunca antes se falou tanto sobre feminismos, gênero, racismo, sexualidades, desigualdades…

Neste ano, o 8 de março, na semana do carnaval, certamente impulsionará a luta da classe trabalhadora contra a reforma da previdência em curso no Brasil, que ataca toda a classe e de modo mais incisivo as mulheres trabalhadoras, pois a face do patriarcado se mostra por meio da proposta que aumenta e equipara o tempo de contribuição de homens e mulheres, desconsiderando o trabalho reprodutivo das mulheres, seja por meio de gestações, no cuidado com a casa, das crianças, idosos e o acúmulo de jornadas de trabalho reprodutivo e produtivo. Certamente nossa participação neste março de lutas será decisivo para derrubar a reforma, assim como para continuar cobrando justiça em torno do assassinato da vereadora do PSOL-RJ, Marielle Franco. Ainda queremos saber: quem matou Marielle? Quem mandou matar Marielle?

Nossos desafios são muitos e mais do que antes, nossa data deve reivindicar ser tratada como um dia especial de luta, pois como afirma Juliet Mitchell, a revolução mais longa é a das mulheres, mas ela está em curso e não regredirá, assim como nossa vitória será a emancipação de toda a classe trabalhadora.



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